segunda-feira, novembro 27, 2006

Migração

Eles passam muito acima dos prédios e eu, da janela, vejo a flecha de pássaros cortar o céu de brigadeiro, com suas asas batendo sem pressa e silenciosamente, como num filme mudo em câmera-lenta.

Fico paralisado até que sumam na minha miopia, rumo ao sul para o qual a varanda está voltada. Parecem ter um objetivo bem definido - penso, com uma ponta de inveja.

Abro as janelas, mas voar é mais do que sentir no rosto a maresia de uma tarde quente de novembro. E mesmo que fosse igual, não tenho bússola que me aponte o caminho.

Então, a pé, atravesso a passarela e as pistas do Aterro, para, minutos depois, assistir as andorinhas se divertirem na piscina do Vasco. Com seus rasantes, ficam horas mergulhando no espelho d'água.

Até que deixo de lado o jornal que tentava ler, e sinto a paz que é o meu norte.